A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Vigilância Ambiental, está ampliando as ações de orientação sobre o método Wolbachia, que utiliza mosquitos capazes de reduzir a transmissão de vírus como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Nesta quinta-feira (8), os agentes de Endemias estiveram na Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, no Jardim Parque Universidade, zona oeste, pela manhã, às 8h, e retornam à unidade à tarde, às 14h. O Parque Universidade é um dos bairros previstos para receber os mosquitos na nova etapa de soltura.
A ação nas escolas é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME). A iniciativa busca intensificar a disseminação das informações sobre o método Wolbachia também na comunidade escolar.
A tecnologia é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob coordenação do Ministério da Saúde (MS), e operada pela Wolbito do Brasil. O método utiliza mosquitos que recebem a bactéria Wolbachia, um microrganismo que reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir os vírus causadores das principais arboviroses.
A primeira etapa da soltura dos mosquitos em Londrina foi realizada entre 2024 e 2025, e a segunda fase tem previsão de início em 22 de outubro, com a soltura em bairros que não foram atendidos na ocasião anterior. A expectativa é que esta nova etapa totalize a cobertura da área urbana do município.
A soltura dos mosquitos ocorrerá, ao longo dos meses seguintes, em bairros de todas as regiões. Na região Sul, serão contemplados o Residencial Cristal, Saltinho, Atlanta, Conjunto Cafezal, Cafezal I, Cafezal II, Alto Cafezal, Monte Belo, Roseira, Neman Sayhun, Vale Azul, Adriana, Jardim Guanabara, Gleba Palhano e Jardim do Lago.
Na região Centro, a ação será realizada no Jardim Europa, Vila Rodrigues, Centro IV e Centro III. Na região Leste, os bairros contemplados são Jardim Monte Carlo, Conjunto Ernani Moura Lima, Conjunto Vitória Régia, Brasília, Oriente, Antares, Conjunto Eucalipto, Conjunto Novo Amparo, Vila Siam e Vila Romana II.
Na região Norte, serão atendidos o Conjunto Milton Gavetti, Jardim São Paulo, Planalto, Flores do Campo e Conjunto Bem Viver. Já na região Oeste, a soltura ocorrerá nos bairros Nossa Senhora Aparecida, Jardim São Francisco, Jardim Sabará, Jardim Orion, Industrial, Jardim Tóquio, Tóquio II, Jardim Colúmbia, Jardim Colúmbia II, Sabará III, Colúmbia D e Jardim Parque Universidade.
Educação também é prevenção
Para o gerente da Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, o enfrentamento da dengue precisa acontecer de forma integrada, e a parceria entre as secretarias de Saúde e Educação é fundamental para fortalecer esse trabalho. “Nossa atuação vai além da rede municipal: desenvolvemos ações também nas escolas estaduais e particulares, porque entendemos que a prevenção precisa chegar a todos os espaços de formação. Por meio do projeto Agente Mirim e de outras ações educativas, levamos aos estudantes informações sobre a dengue, o Aedes aegypti e a identificação e o manejo adequado de possíveis criadouros. A intenção é formar multiplicadores, para que eles levem esse conhecimento às suas famílias e comunidades. Dessa forma, a escola se torna um importante espaço de disseminação de conhecimento e prevenção”, afirmou.
Ribas acrescentou que o trabalho educativo vem acompanhado do fortalecimento das estratégias de controle vetorial e da incorporação de novas tecnologias, como a Wolbachia, que chega para somar às ações já desenvolvidas de combate às arboviroses. “Quando unimos Saúde e Educação, envolvemos as escolas municipais, estaduais e particulares, formamos multiplicadores e incorporamos novas tecnologias, conseguimos construir uma estratégia mais ampla e permanente de prevenção. O combate à dengue não depende de uma única ação: ele é resultado da soma de conhecimento, cuidado, participação da população e inovação”, salientou.
Cristina Borba, do Apoio Pedagógico de Ciências da Secretaria Municipal de Educação, ressaltou que as ações educativas sobre a Wolbachia, desenvolvidas em parceria com o setor de Endemias, são importantes porque aproximam o conhecimento científico do cotidiano dos estudantes, por meio de atividades lúdicas e adequadas a cada faixa etária. “Esperamos também que eles compartilhem o que aprenderam com suas famílias, contribuindo para a divulgação de informações e para o envolvimento da comunidade nessa iniciativa de prevenção da dengue”, afirmou.
Borba informou ainda que, em setembro, foi realizada uma reunião on-line com a equipe de Engajamento da Wolbito do Brasil, o setor de Endemias e as equipes gestoras das escolas localizadas nas regiões onde está prevista a soltura dos mosquitos com a Wolbachia. “Esse encontro foi importante para apresentar a iniciativa, esclarecer dúvidas e alinhar as ações educativas que estão sendo desenvolvidas nas unidades escolares, garantindo que as equipes estejam informadas e preparadas para receber as atividades”, frisou.
Em 2026, as ações educativas sobre a prevenção da dengue e o método Wolbachia já foram realizadas em 35 escolas municipais e dez escolas estaduais de Londrina. Outras 91 escolas municipais ainda estão previstas para receber as atividades, sendo que oito escolas municipais e quatro estaduais já têm ações agendadas. O foco é atuar prioritariamente nos territórios onde os indicadores epidemiológicos e entomológicos apontam maior necessidade de atenção.
A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, Isabel Francisco de Oliveira, contou que, pela manhã, foram realizadas palestra e gincana com os alunos maiores e teatro de fantoches com as crianças menores. “A equipe de Endemias é muito bem preparada e trabalha de acordo com a faixa etária dos alunos, usando uma linguagem acessível e lúdica. As crianças gostaram bastante e levam o tema para dentro de casa, compartilhando as informações com os familiares. Na escola, quando percebem algum papel no chão, uma tampinha com água ou outro possível criadouro, elas nos avisam para que possamos retirar”, disse.
A coordenadora acrescentou que o combate à dengue é trabalhado ao longo de todo o ano em sala de aula, integrado ao currículo de Educação e Saúde e às atividades relacionadas às questões ambientais. “Durante o ano, desenvolvemos ações de prevenção em parceria com a Secretaria de Saúde, com palestras e materiais educativos. Em abril, reforçamos esse trabalho por conta do período de calor e do alto índice de casos na região. Agora, com o projeto Wolbachia, estamos novamente recebendo essa ação na escola”, explicou.
A estudante Maria Izabel Fontana Pascoalotti, 6 anos, do P5 da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, mostrou que já aprendeu a importância de evitar água parada e manter os ambientes limpos para prevenir a dengue. Ela contou que, quando encontra algum recipiente acumulando água, procura eliminá-la e que também troca diariamente a água oferecida aos animais de estimação. “Eu ponho outra água, porque no outro dia está cheio de mosquitinho de novo”, explicou, referindo-se às vasilhas das cachorras e do gato.
Maria Izabel também contou que gostou da atividade realizada na escola, que incluiu um teatro sobre os cuidados para evitar a proliferação do mosquito. Segundo ela, a história mostrava uma menina que deixava lixo e água parada, atraindo um “mosquitão bem grandão”. Depois da apresentação, ela reforçou o que aprendeu em casa. “A garrafa sempre tampada e a água dos animais sempre nova”, resumiu.
Outro estudante da escola, Júlio Cesar Stable Filho, 11 anos, do 5º ano, também acompanhou a atividade e contou o que aprendeu sobre os mosquitos que recebem a bactéria Wolbachia e que serão soltos em áreas do município. Segundo ele, os mosquitos continuam tendo o comportamento natural da espécie, mas passam por um processo em laboratório. A turma também participou de uma atividade de “verdadeiro ou falso” sobre a prevenção da dengue.
Júlio Cesar disse ainda que sua mãe já teve dengue e destacou a importância dos cuidados para evitar a proliferação do mosquito. Para ele, é importante manter a atenção dentro e fora de casa, principalmente evitando recipientes com água parada. “Não deixar a garrafa aberta, água parada, usar repelente, entre outras ações. Acho importante que profissionais levem esse tipo de orientação às escolas para que as crianças aprendam como ajudar na prevenção da doença”, ressaltou.

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